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Newsletter · 17 de agosto de 2026

Quando foi que estar cansado virou normal?

“Na correria”, “uma loucura”, “cansada.” Sobre a Sociedade do Cansaço, ritmo, vitalidade e a pergunta que interessa: o que me regenera?

Cena tranquila em luz natural, evocando pausa e descanso

“Na correria”, “Uma loucura”, “Cansada.”

Essas respostas ficaram tão comuns quando alguém pergunta como estamos que quase deixamos de estranhá-las.

O cansaço parece ter deixado de ser uma condição passageira para se tornar uma espécie de estado permanente. E, em alguns contextos, quase uma credencial: se estou ocupada, cheia de coisas para fazer, dando conta de muitas frentes, então minha vida está acontecendo.

Foi dessa inquietação que nasceu o novo episódio do Mercúrio.

Quando foi que estar cansado passou a ser quase uma confirmação de que estamos fazendo o suficiente?

No episódio #57, eu e a Debora partimos do livro Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han, para pensar sobre esse tempo em que a cobrança já não precisa necessariamente vir de fora. Nós mesmos aprendemos a nos cobrar.

Não estamos todos cansados pelas mesmas razões

Mas uma das coisas que mais me interessa nessa conversa é perceber que não estamos todos cansados pelas mesmas razões. E, portanto, não existe uma única resposta para o cansaço.

Em determinado momento, a Debora conta sobre uma pessoa que acompanhou e que estava profundamente desgastada com o trabalho. Ao longo do processo, ela percebeu que aquilo que a revitalizava era o contato com o novo: aprender, descobrir, inovar. Ela não precisava necessariamente mudar completamente de vida. O que ela precisava era reconhecer o que, naquela vida, devolvia vitalidade a ela.

E talvez essa seja uma pergunta mais interessante do que simplesmente “como descansar?”:

O que me regenera?

Porque aquilo que regenera uma pessoa pode ser justamente o que esgota outra. E porque o ritmo que nos serviu em uma determinada fase da vida pode não servir mais na seguinte. A chegada dos filhos, o envelhecimento dos pais, uma mudança profissional, o próprio amadurecimento… a vida muda. E nem sempre conseguimos mudar nosso ritmo junto com ela.

Eu mesma conto, no episódio, sobre a maternidade e sobre o quanto tentei, durante um tempo, sustentar a mesma velocidade e a mesma relação com o trabalho que tinha antes dos filhos. Até perceber que parte do sofrimento estava justamente na tentativa de fazer uma vida nova caber no ritmo da vida antiga.

Talvez o cansaço também possa ser escutado assim: não como algo que precisamos eliminar, mas como um sinal de que alguma coisa na forma como estamos vivendo precisa ser olhada.

No episódio #57 do Podcast Mercúrio, conversamos sobre cansaço, vitalidade, ritmo, identidade, trabalho e as diferentes fases da vida.

Ouça e assista agora: no Spotify ou no YouTube.

E você? O que te regenera? Quando ouvir o episódio, me conta? Vou adorar saber.

Com carinho, Carla Latini Psicóloga, Aconselhadora Biográfica e co-fundadora do Mercúrio Antroposofia

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